Tudo começa com a mata atrás do Colégio Viver e entra nessa mistura a experiência com escotismo na infância de Jônia Guimarães, professora de Artes do Colégio Viver há 22 anos. “Na época eu era bandeirante, andava no mato e fazia acampamento. Isso influenciou bastante”, conta a realizadora do projeto Estação Natureza, que aproveita o ambiente ao redor para inserir as crianças em uma série de atividades que envolvem um laboratório, uma cozinha, um ateliê e um portal, bem como espaço com ferramentas para despertar a habilidade de quem começou a vida.

Iniciada no começo deste ano como atividade complementar após o turno normal de aula, a Estação Natureza já se reverteu em obras de arte feitas com tintas artesanais feitas com a terra do local. “Criança gosta muito de mexer na terra, essa parte do mato”, lembra a professora. Os bichos do solo também despertaram a atenção das turmas do Fundamental I a III. “Acharam uma taturana morta, daquela verde-limão que queima”, recorda a professora, lembrando que também minhocas e centopeias já foram vistas no espaço.

Essa mesma audiência infantil já contribuiu com uma série de sugestões. “O que fiz nesse começo foi deixar as crianças bem soltas para ver o que queriam fazer”, diz a professora. “Nessa idade elas gostam muito de terra e texturas, então só ofereço as ferramentas”, complementa. No fim das atividades, as ferramentas são guardadas no chamado “canto do lenhador”, inspirado no escotismo e que abriga também a lenha empregada para fazer a fogueira.

Por falar em fogueira, ela já assou alguns pratos da cozinha. “A gente já fez pinhão e o pão do caçador”, lembra. O “pão do caçador” também rendeu um debate interessante quando do contato com os indígenas que visitaram a escola no Dia Guarani. “Eu perguntei para um deles: o pão é de escoteiro ou de índio?”, relembra a professora sobre essa receita de sua infância. “Os escoteiros podem ter aprendido com os índios”, especula.

A exibição do projeto no IV Seminário Criança e Natureza 2019, a ser realizado no Rio de Janeiro (RJ) entre os dias 10 e 11 de junho, aproveitou portas que estavam abertas anteriormente “A escola é parceira do Instituto Alana”, lembra Jônia. Além do intercâmbio no evento, que terá um total de 46 projetos, a ideia é também mostrar uma outra face do Viver, que é a de educação ambiental e sustentabilidade. “A gente quer levar por meio do ComViver para outras escolas”, revela Jônia sobre os planos de expandir a ideia.